Fonte: Débora Didonê
Ninguém
vive bem quando está a ponto de explodir quase todo dia, quase toda hora. A
mente e o corpo ficam longe da sanidade. É por isso que, vez ou outra, a
ciência desencava novas evidências mostrando que o estresse descontrolado está
na origem de uma extensa lista de problemas, das falhas de memória à baixa
imunidade, sem contar em doenças graves, como o câncer. Pesquisadores da
Universidade de Oxford, na Inglaterra, acabam de adicionar um novo item a essa
relação: a infertilidade feminina.
Segundo
eles, a tensão nas alturas estaria por trás do insucesso de mais de 200
mulheres analisadas, todas na faixa dos 18 aos 40 anos, para engravidar. Sob
esse estado, o organismo feminino passa a secretar doses cavalares de um
hormônio chamado alfa-amilase. As taxas elevadas dessa substância atuam como um
verdadeiro espanta-cegonhas, influenciando o sistema nervoso simpático, que é
acionado em momentos de perigo, a acelerar o funcionamento de vários órgãos.
Nas
candidatas a mãe, essa conjunção de fatores ativa um mecanismo que desestimula
a capacidade reprodutiva. O alfa-amilase é um tipo de adrenalina que reduz a
produção de progesterona, justamente o hormônio responsável pelo ciclo
menstrual e pelas modificações do organismo durante a gravidez, e, sem a
progesterona, diminuem-se as chances de o embrião se implantar no útero."
Essa é a primeira vez que uma pesquisa laboratorial estabelece um elo entre
níveis cavalares de um hormônio relacionado ao estresse como um empecilho para
gerar filhos.
Embora os patamares colossais de cortisol, outro hormônio típico dos momentos de nervosismo, não tenham feito diferenciado no estudo de Oxford, os especialistas também o acusam de postergar a realização do sonho da maternidade. "No caso dele, a mulher fica com dificuldade para desenvolver e liberar o óvulo", afirma o urologista e especialista em reprodução humana Jorge Hallak, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. O cortisol ainda impediria a interação entre espermatozóide e óvulo.

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