Pesquisa realizada com jovens pela Universidade de Maryland, nos EUA, e publicada em abril deste ano constatou que a dependência de celulares, computadores e tudo que esteja relacionado à tecnologia pode ser considerada semelhante ao vício em drogas. O estudo avaliou 1.000 alunos com idades entre 17 e 23 anos, em dez países, que ficaram durante 24 horas sem celulares, redes sociais, internet e TV.
Segundo a pesquisa, 79% dos estudantes avaliados apresentaram desde desconforto até confusão e isolamento com a restrição ao uso de eletrônicos. Outro sintoma relatado foi o de coceira, uma sensação parecida com a de dependentes de drogas que lutam contra o vício. Alguns estudantes relataram, ainda, estresse simplesmente por não poder tocar no telefone.
O estudo concluiu que a tecnologia vem tomando conta da vida das pessoas de forma descontrolada. ”Fico no trabalho cerca de 9 horas por dia conectado, e quando chego em casa não consigo me desconectar. Ou estou na internet ou estou jogando videogame”, disse Felipe Affonso, de 22 anos, um bom exemplo deste comportamento compulsivo. “Não consigo imaginar a minha vida sem a internet. Se fico sem acesso ao e-mail ou às redes sociais que possuo, fico de mau humor”, afirmou.
Jovens como Felipe podem apresentar vários problemas comportamentais, como explica Cristiano Nabuco de Abreu, psicólogo e coordenador do Amiti (Programa de Dependentes de Internet do Ambulatório dos Transtornos do Impulso) do Instituto de Psquiatria da Faculadade de Medicina da USP. “Alterações no humor, comportamento depressivo e reações impulsivas, quando restringidos no uso do computador, videogames ou celular, são os principais sinais de que a pessoa está usando essas tecnologias de forma excessiva.”
Algumas medidas podem evitar que o adolescente ou o adulto que sofre deste problema tenha recaídas. Investir em programas familiares ao ar livre e realizar atividades que façam que a pessoa use o mínimo possível dessas tecnologias é o primeiro passo para que o paciente ou até a pessoa que está prestes a virar dependente da internet tenha uma vida normal, recomendam os especialistas.
*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo

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