Fonte: IG São Paulo
Um dia após a presidenta Dilma se reunir com empresários para pedir que façam mais investimentos, quatro farmacêuticas nacionais assinaram um acordo que cria uma empresa de alta tecnologia no País. A BioNovis, fundada pelas concorrentes EMS, Ache, Hypermarcas e União Química, vai produzir os chamados remédios biotecnológicos, usados no tratamento de doenças complexas. Será a primeira grande empresa brasileira a entrar nesse mercado, cujas importações custaram ao governo R$ 6 bilhões no ano passado – que são 46% de todo o gasto governamental com medicamentos importados.
Um dia após a presidenta Dilma se reunir com empresários para pedir que façam mais investimentos, quatro farmacêuticas nacionais assinaram um acordo que cria uma empresa de alta tecnologia no País. A BioNovis, fundada pelas concorrentes EMS, Ache, Hypermarcas e União Química, vai produzir os chamados remédios biotecnológicos, usados no tratamento de doenças complexas. Será a primeira grande empresa brasileira a entrar nesse mercado, cujas importações custaram ao governo R$ 6 bilhões no ano passado – que são 46% de todo o gasto governamental com medicamentos importados.
A
empresa vai demandar R$ 500 milhões de investimento nos primeiros cinco anos de
vida, dos quais R$ 200 milhões sairão dos caixas das sócias (cada uma tem 25%
da BioNovis) e darão conta de colocar o negócio para funcionar. O resto será
captado conforme o projeto se desenvolva. Não está descartado um financiamento
do BNDES – ou mesmo uma sociedade com o banco de desenvolvimento. "Talvez
seja o investimento mais importante da história da indústria farmacêutica
brasileira", diz Odnir Finotti, presidente da BioNovis.
Os
remédios biotecnológicos, feitos a partir de células vivas, são considerados o
futuro da indústria farmacêutica. São caros – mesmo sendo 46% dos gastos
públicos com importação, representam só 2% do volume de remédios comprados fora
– e consumidos apenas dentro de hospitais, não vendidos em farmácias. É um
mercado de US$ 160 bilhões no mundo, e de R$ 10 bilhões no Brasil. Entre os dez
remédios mais vendidos mundialmente, cinco são do tipo. "Em vinte anos, o
mercado de biotecnológicos será maior que o de remédios químicos", avalia
Finotti.
Esses
remédios são usados para combater doenças como câncer, artrite reumatóide,
lúpus e Alzheimer. São produzidos principalmente nos EUA, Alemanha, Suíça e
Reino Unido, mas emergentes como Índia, China e Coreia do Sul já fabricam
biotecnológicos – o Brasil importa inclusive da Argentina. A BioNovis deve
colocar os primeiros biotecnológicos nacionais no mercado em dois ou três anos.
"Como serão feitos aqui, eles deverão ser mais competitivos que os
importados", diz o executivo.
O
fato de quatro empresas concorrentes terem se unido para criar um negócio é
algo inédito no setor. Entre as primeiras conversas e a conclusão do acordo,
passaram-se apenas seis meses. No acordo de acionaistas, está previsto que
nenhuma delas poderá entrar na fabricação de biotecnológicos, ou seja, virar
concorrente da BioNovis. O acordo prevê ainda que a BioNovis não poderá ser
vendida para empresas estrangeiras.

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