Por: Jon Talber
Por que não deveria ser uma coisa
natural o cumprimento de uma tarefa em benefício próprio? Para escovar os
dentes é realmente necessário um incentivo; um convencimento mediante um
agrado, ou outro tipo de persuasão? Não seria mais simples mostrar para as crianças
a realidade das coisas, os efeitos da omissão caso não cumpram com seus
deveres, ao invés de torná-las simples máquinas cumpridoras de ordens, sempre
esperando receber alguma coisa em troca? Há algum tipo de ação em nossas vidas
que façamos sem esperar absolutamente nada em troca?
Como podemos esperar uma sociedade
justa, se o justo para nós é a compensação,
alguma forma de pagamento pelo que quer que façamos? Não precisa ser uma
compensação imediata, material, pode ser um consolo espiritual, uma compensação
maior para o futuro, ou além da vida, e assim por diante. Não é tudo a mesma
coisa; uma busca por compensações, a exemplo daquilo que aprendemos quando
éramos crianças?
É a recompensa de todo nociva ao desenvolvimento do indivíduo, que
antes disso, deveria pela autodisciplina, descobrir que o respeito pelo seu
próximo, começa com o respeito pessoal. Aprendendo a cuidar de si porque
compreendeu que é a coisa certa e sensata, que é o caminho que o tornará
independente e o ensinará a respeitar o espaço alheio, ele exigirá menos dos
outros, irá valorizar o esforço pessoal e alheio.
Assim, nosso papel de explicar o que
devem fazer, e mais importante, porque estão fazendo, é fundamental. De pouco serve
exigirmos que nossos filhos passem anos e anos numa escola, sem, contudo, lhes
explicarmos porque estão fazendo isso; não podemos deixar isso na mão dos
educadores, eles não o farão. Precisamos ir além e enumerarmos para eles, de
forma compreensível, todos os benefícios que deverão esperar de tal esforço,
isso é respeito, é o mínimo de um máximo que poderíamos dispensar a eles, se
tivéssemos a certeza de que seríamos imediatamente, de alguma forma,
recompensados.

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